A fotografia estereoscópica é uma arte particularmente frustrante. Saímos por aí com a nossa câmera fotográfica, paramos diante de uma cena que oferece magníficos relevos, tiramos duas ou três fotos para constituir um par estereoscópico. Mandamos revelar, e que decepção! Claro, no par esterescópico, os relevos são acentuados, o espaço fica côncavo e os longes são mandados de fato para bem longe.
Mas os relevos eram igualmente decifráveis numa imagem isolada. Em meu entendimento, a fotografia estereoscópica é interessante sobretudo quando nos mostra numa imagem o que não teríamos podido ver sem ela, quando nos ajuda a colocar ordem em cenas confusas.
Os exemplos mostrados abaixo ilustram diversos enfoques da fotografia estereoscópica. Primeiro, é simplesmente a vontade de fornecer uma qualidade suplementar à imagem, ou a de reproduzir direito o modelado de uma forma ou a disposição dos volumes no espaço. Depois, serão contudo fotos de cenas confusas, que se tornam muito mais nítidas após a interpretação estereoscópica. Uma vez que vimos uma dessas imagens em estereoscopia, a interpretação permanece e o relevo se torna evidente na imagem isolada. Poderemos tentar ver essas fotos em pseudoscopia, isto é, utilizando o par feito para a visão cruzada (convergente), se tivermos o hábito de ver em visão paralela (divergente), ou vice-versa.
Quanto mais abstrata a imagem, mais fácil vê-la por pseudoscopia, com um relevo invertido. Em contrapartida, é difícil prever , pelo raciocínio, como deve se apresentar esse relevo invertido, conhecendo-se o relevo correto.
As técnicas de visualização são as mesmas adotadas para os estereogramas. Após focar a imagem, isto é, quando surgirem três imagens, concentre-se na imagem do meio, pois é ela que nos dará a sensação de dimensionamento, mostrando toda a profundidade existente.
Na última imagem abaixo note a profundidade existente entre a primeira e a última árvore. Percebe-se nitidamente a sequência de 05 árvores!!

pcardeais

Estereograma de imagem dupla mostra resultados opostos
em relação à maneira de se observar.
Veja que as setas apontam ao norte/sul e vice/versa.

foto5.jpg
usar visão paralela (divergente)
mcasa.jpg
usar visão paralela (divergente).

Esta fotografia foi tirada no jardim de minha
residência. Observe a profundidade das roseiras em
relação ao cedrinho e ao muro ao fundo.

foto3d.jpg
usar visão paralela (divergente)
Imagem cedida por Dan Schelley